Ora bem, quem tem um patudo sabe que a ligação que criamos com eles é algo muito especial, não é? Afinal, eles são parte da família. Mas, por vezes, essa ligação tão forte pode trazer um desafio: a ansiedade de separação no cão. É que este problema comportamental afeta muitos dos nossos companheiros de quatro patas, e pode ser mesmo desgastante para eles e para nós. Por isso mesmo, é crucial perceber o que se passa.
Não é só um cão a fazer birra, aliás. A ansiedade de separação é uma condição real, onde o cão sente um medo extremo e angústia quando fica sozinho ou separado da sua figura de apego. Consequentemente, isto manifesta-se de várias formas, desde uivos a destruição. Mas não te preocupes, porque há muita coisa que podemos fazer para os ajudar, e é isso que vamos explorar aqui, com a calma de quem já passou por isto.
Afinal, o Meu Cão Sofre de Ansiedade de Separação ou Está Só Aborrecido?
Esta é uma pergunta que muitos tutores fazem, e com razão. É que os sinais de tédio e de ansiedade podem ser parecidos, mas a motivação por trás deles é bem diferente. Um cão aborrecido, por exemplo, pode roer um sapato porque não tem mais nada para fazer, ou seja, está a procurar uma forma de se entreter. Mas um cão com ansiedade de separação no cão vai roer a porta de saída, ou as janelas, na tentativa desesperada de se reunir contigo. Percebes a diferença? É uma questão de intenção.
Os sinais mais comuns de ansiedade de separação incluem uivos ou latidos excessivos, destruição de objetos (especialmente portas, janelas ou coisas que cheiram a ti), fazer as necessidades em casa mesmo depois de ter saído, e até tentativas de fuga. O Junior, por exemplo, nunca teve este problema, mas tive uma amiga que me contava que o cão dela chegava a babar-se tanto que criava poças no chão. É impressionante, não é? Além disso, alguns cães podem apresentar comportamentos compulsivos, como lamber-se em excesso, ou andar de um lado para o outro sem parar. Observar o padrão de comportamento do teu patudo quando te ausentas é fundamental para um bom diagnóstico.
As Causas Por Trás do Comportamento Ansioso

Então, o que leva um cão a desenvolver esta ansiedade de separação? Bem, não há uma única causa, mas sim um conjunto de fatores que podem contribuir. Por exemplo, mudanças repentinas na rotina podem ser um gatilho. Imagina que passaste meses em teletrabalho e, de repente, voltas ao escritório a tempo inteiro. O teu cão habituou-se a ter-te por perto e, de um dia para o outro, fica sozinho. É um choque, não é?
Mas não é só isso. Cães que foram resgatados, especialmente aqueles que passaram por abandono, tendem a ser mais propensos a desenvolver esta condição. Afinal, eles já sentiram a dor da separação e do abandono, o que os torna mais vulneráveis. Aliás, a genética também pode ter um papel, embora menos estudado. Por outro lado, uma socialização inadequada quando eram cachorros também pode contribuir, pois não aprenderam a lidar com a ausência do tutor de forma saudável. É uma teia complexa, portanto, e cada caso é um caso.
Estratégias para Ajudar o Teu Patudo: Do Treino à Medicação

A boa notícia é que há esperança! O tratamento da ansiedade de separação no cão geralmente envolve uma combinação de abordagens. Primeiro, e talvez o mais importante, é o treino de dessensibilização gradual. Isto significa ensinar o teu cão a ficar sozinho, mas em doses muito pequenas e controladas. Começas por te afastar por segundos, depois minutos, e vais aumentando o tempo progressivamente. O objetivo é que ele associe a tua ausência a algo neutro ou até positivo, e não a pânico. Podes, por exemplo, dar-lhe um brinquedo recheado com comida quando sais, para que ele se distraia.
Além disso, a criação de uma rotina consistente é crucial. Os cães adoram rotinas, dá-lhes segurança. Por isso, tenta manter os horários de passeios, alimentação e brincadeiras o mais estáveis possível. E, claro, o exercício físico adequado é um santo remédio! Um cão cansado é um cão mais calmo. Uma boa caminhada antes de te ires embora pode fazer maravilhas. Para dicas sobre como enriquecer o ambiente do teu cão, podes consultar recursos como os da ASPCA, que são sempre úteis.
Em alguns casos, produtos naturais calmantes, como difusores de feromonas ou suplementos à base de triptofano, podem ser um complemento útil. Mas, convém saber, que estes não são uma solução mágica, apenas um apoio. Se a ansiedade for muito severa, e o teu cão estiver a sofrer muito, então a medicação prescrita por um médico veterinário pode ser necessária. Aliás, a DGAV também tem informações sobre o bem-estar animal que podem ser relevantes. É que a saúde mental do teu cão é tão importante quanto a física, por isso não hesites em procurar ajuda profissional. Um bom veterinário ou um comportamentalista animal certificado pode fazer toda a diferença. Por exemplo, a Ordem dos Médicos Veterinários pode ajudar-te a encontrar um profissional qualificado.
O Que Ficou Claro Sobre a Ansiedade de Separação no Cão

A ansiedade de separação no cão é um desafio, sim, mas não é o fim do mundo. Com paciência, consistência e as estratégias certas, podemos ajudar os nossos patudos a sentirem-se mais seguros e confortáveis na nossa ausência. O importante é estares atento aos sinais, perceberes a diferença entre tédio e ansiedade e, acima de tudo, procurares ajuda profissional quando sentires que não consegues sozinho. Afinal, o teu cão merece toda a felicidade e tranquilidade do mundo, não merece? E tu também, claro.
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Chamo-me C. Almeida e cresci sempre rodeado de animais. Hoje sou tutor do Junior, um caniche toy cheio de energia e personalidade. Criei o Patas à Mesa para partilhar receitas caseiras saudáveis, dicas de saúde animal e técnicas de treino para cães e gatos, tudo em português de Portugal e com informação de confiança.